"Talvez
o termo gratuidade seja incorreto, porque sempre que falamos em gratuidade, é
claro que alguém está deixando de pagar, mas, para alguém deixar de pagar,
outro está pagando.
O que
acontece no Brasil [...] é que o custo das passagens gratuitas é arcado pelos
demais passageiros. Ou seja, outros passageiros pagam para que o idoso possa
andar de graça no transporte público brasileiro, por exemplo.
É claro
que isso gera uma injustiça social, porque muitas vezes pessoas com rendas mais
baixas do que um determinado idoso acabam arcando com o custo da passagem desse
idoso. Então, consideramos que as gratuidades, ou parte delas, assim como
acontece em muitos países da Europa, têm de ser bancadas pelo Estado.
Aí você
pergunta: mas então você está tirando algo de outras pessoas? Sim. Esse é o
padrão que ocorre com qualquer serviço, seja saúde, educação, e uma série de
outros serviços. O que temos de evitar é que quem tem menos condição arque com
esse custo. A lógica é que isso recaia sobre as pessoas que têm mais condições."
Ernesto Galindo, Técnico de Planejamento do IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas.





