 |
| Grand Canyon - EUA. Clique sobre a imagem para melhor visualização. |
Cânions são vales profundos com encostas quase verticais, que podem se
estender por centenas de quilômetros e atingir até 5 mil metros de
profundidade. À primeira vista, quem observa esses gigantescos entalhes na
superfície do planeta poderia imaginar que eles foram criados de uma hora para
outra por algum fenômeno catastrófico, como um terremoto capaz de abrir a terra
e gerar um precipício. Nada disso: em geral, os cânions têm uns aprofundamentos
lentos, que pode durar milhões de anos. Os autores principais dessas obras de
arte não são só rios.
Dependendo da declividade do terreno, da quantidade de água e das
fraturas do relevo, um curso de água tem a capacidade de entalhar as rochas do
leito por onde corre, dando origem aos paredões. Entretanto, um rio não
constrói um cânion sozinho. Nesse processo, também desempenham um papel
importante os chamados soerguimentos, processos de choque e deslocamento de
placas no interior da crosta terrestre que elevam gradualmente o relevo da
região. Conforme o terreno sobe, os rios que correm na superfície começam a
ganhar velocidade e a aprofundar seus leitos, aumentando a altura dos paredões.
Para os cientistas, os cânions possibilitam entender a origem das rochas e do
relevo de uma região. Numa imagem aproximada, se a gente comparar a Terra com
uma cebola, um cânion é como um corte de faca que revela algumas camadas da
casca do vegetal rochoso em que vivemos. Mas os cânions de hoje não são
retratos exatos do passado. Além de contínua erosão fluvial, a ação do calor,
do vento, do gelo e da própria gravidade terrestre, que causa desmoronamentos,
modificou o aspecto dessas feições ao longo do tempo.
Fonte: Revista Superinteressante. Adaptado.