[...] o que me incomodava [...] é que boa parte dos grandes empreendedores não foram excelentes alunos e vários famosos até desistiram da faculdade como Bill Gates, Steve Jobs e Richard Branson.
Só encontrei a resposta para este incômodo quando conheci os trabalhos de Howard Gardner, autor da teoria das Inteligências Múltiplas. Gardner explica que a inteligência do ser humano não pode ser mensurada apenas pelo raciocínio lógico-matemático cobrado nos vestibulares e nas faculdades. Neste tipo de inteligência, o sujeito estuda para saber qual botão apertar. Se aperta o botão certo, tira nota 10 é considerado inteligente.
Não raro, o aluno “inteligente” decora qual botão apertar. Um dos alertas importantes destacados por Gardner é que “a maior parte dos testes (das escolas e faculdades) mede a inteligência lógica e de linguagem. Quem é bom nas duas é bom aluno.
Enquanto estiver na escola, pensará que é inteligente. Porém, se decidir dar um passeio pela cidade, rapidamente descobrirá que outras habilidades fazem falta, como a espacial e a intrapessoal – a capacidade que cada um tem de conhecer a si mesmo, fundamental hoje”. Mas muitos empreendedores que conheço não são apertadores de botão, já que em muitos casos, nem botão há ou em outros, eles criam seus próprios botões. Gardner defende que há outros tipos de inteligências como a musical, espacial, linguística, interpessoal, intrapessoal, corporal, naturalista e existencial.
E o que noto é que há empreendedores que não foram alunos “nota 10”, mas que têm uma elevada inteligência espacial para entender contextos, um elevado grau de confiança em função de sua inteligência intrapessoal ou são ótimos em lidar com pessoas, pois dominam a inteligência interpessoal, apenas para citar algumas das inteligências.
Acredito que os grandes empreendedores souberam alinhar suas inteligências mais destacadas com o que Howard Gardner chama de Cinco Mentes para o Futuro, que em sua opinião são essenciais para o desenvolvimento do ser humano:
1 - Mente disciplinada: exige o esforço para sermos bons em algo;
2 - Mente sintetizadora: sabe o que realmente importa e como isto pode ser combinado;
3 - Mente criativa: cria soluções inovadoras eficazes a partir da disciplina e síntese;
4 - Mente respeitosa: reconhece que o ser humano é único, com crenças e valores diferentes;
5 - Mente ética: faz a coisa certa mesmo quando não atende aos nossos interesses.
Fonte: Estadão PME. Disponível em: http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/bill-gates-steve-jobs-e-richard-branson-grandes-empreendedores-nao-foram-excelentes-alunos/. Acesso em 08 mar 2013. Adaptado.