O bruxo fez o feitiço: a escritora ficou milionária!
ROWLING, J. K. Harry Potter e as Relíquias da Morte. Editora Rocco. Rio de Janeiro. 2007.
“O menino que sobreviveu” contra “Aquele que não deve ser nomeado”, uma história dividida em sete partes que explicam o sucesso da escritora: ela não entregava o jogo. O segredo da autora foi conseguir manter o suspense e a indefinição por sete livros sobre o quê aconteceria com Harry Potter, seus amigos e com Lord Voldemort e seus seguidores.
A história faz uma analogia interessante sobre busca por poder, necessidade de superação de diferenças para conseguir objetivos comuns, o preconceito entre pessoas de classes ou raças diferentes e importância de valores como amizade, amor e superação de limites próprios. “Harry Potter e as Relíquias da Morte” conseguiu amarrar bem toda a história contada, apesar de uma impressão de correria no final do livro.
Quem lê o livro tem a sensação de que a saga não vai conseguir ser fechada até o final, pois ao chegar à metade a história ainda se encontra indefinida. Usando de sorte (ou destino) do protagonista, a autora consegue dar uma explicação improvável para o desfecho: Harry estava sendo preparado para a morte.
Ao atacar Harry Potter ainda criança, Voldemort transferiu não somente alguns de seus poderes como salientam os livros anteriores, mas também uma parte da alma do antagonista, fragilizada pelo feitiço de separação de sua alma – Horcruxes – que se pensava deixar o personagem perto da imortalidade.
Inimigos se revelam amigos, seguindo a tendência do livro em esconder o verdadeiro e salientar pistas falsas sobre personagens, como o professor Snape. Dumbledore se revela imperfeito, diferente dos outros livros. Forma-se uma aliança entre membros de “espécies” diferentes – bruxos de sangue-puro e mestiços, duendes, elfos domésticos, gigantes e centauros – para a batalha final, na qual Harry tem de enfrentar desafios de elevada complexidade, como desvendar enigmas ao mesmo tempo em que descobre que o confronto final com Voldemort era inevitável: Um não poderia viver sem que o outro sobrevivesse, e no fim um teria de matar o outro.
E como protagonistas heróis nunca matam, o final é inovador frente às histórias em que os antagonistas são mortos por acidentes, vide exemplo da série adaptada do super-homem, Smallville, ou mesmo das adaptações cinematográficas do Homem-Aranha.
As adaptações para o cinema só deixaram o clima de suspense para o último livro ainda maior, colocando os livros em maior evidência, trazendo a curiosidade sobre o desfecho da história, que no cinema ainda não tem data para ser mostrada. Faltam ainda duas histórias para ser contadas na telona, com possibilidade da última ser dividida em dois filmes, segundo se fala para não haver um resumo muito grande da história do livro, mas para quem tem senso crítico, um estratagema para maiores lucros para a produtora dos filmes e de tabela para Howling, já testado na trilogia Matrix com sucesso.
Assim como Neo rendeu milhões em sua batalha contra o Agente Smith e a Matrix, o cinema é para onde Harry Potter aponta sua varinha neste momento, mesmo após milhões de pessoas já saberem o desfecho de sua história, mas que fará o feitiço de transformação de um desfecho já conhecido em uma renda extra para a autora da saga.
Ir ou não ir ao cinema conferir? Todos enfeitiçados?



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