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Argumentos persuasivos

Esquema de Aristóteles

1 - Apresente uma história ou relato que desperte o interesse da plateia.
2 - Proponha um problema que tenha de ser solucionado ou pergunta a ser respondida. 
3 - Sugira uma solução para o problema proposto.
4 - Descreva os benefícios da adoção da ação exposta em sua solução.
5 - Incite a plateia a agir.

Fonte: GALLO, Carmine. Faça como Steve Jobs. Editora Lua de Papel.






Cartografia Atual


Introdução
-No século XXI o uso da cartografia se faz principalmente por mapas digitais.
-Google Maps, GPS em automóveis e em Smarthphones estão amplamente disseminados.
-A “gratuidade” e a facilidade de uso destes recursos ajudam a disseminar o gosto pelo uso de mapas no cotidiano.
-A disseminação por plataformas móveis, como os smartphones, traz uma demanda enorme pelo serviço.
-A Microsoft, criadora do Windows, também entrou no mercado com seu Bing Maps, mais popular nos EUA.
-Criar e manter esses serviços estão a cada dia mais complexos e caros.
-Alternativas baratas não são viáveis, principalmente pela falta de confiabilidade.
-Começar um novo serviço como esse do zero traz muitas dificuldades.
-A exemplo da Apple, que recentemente tentou implementar um serviço próprio de mapas e se viu criticada pela baixa qualidade do serviço.

Bing Maps, da Microsoft.


Nível de Dificuldade do Serviço
-Não basta reunir conteúdo de diferentes fontes e jogá-los sobre coordenadas definidas.
-Desníveis de terreno e erros em diferentes bancos de dados tornam o serviço complexo e sujeito a muitos erros.
-Necessidade de atualizações frequentes.
-Necessidade de correção de erros de maneira rápida.
-Necessidade de manter equipes de campo especializadas em várias localidades, de diferentes países.
-Popularização a cada dia maior destes serviços.
-Oferecer informações de localização de endereços, restaurantes ou rotas tornou-se uma oportunidade de lucrar no futuro.
-Diante desse cenário de lucro, outras empresas decidiram entrar neste mercado como protagonista, como a Apple, independentemente das consequências e desafios que essa estratégia implica.
-Ao contrário de outros setores, a tecnologia não conseguiu substituir a mão de obra humana na produção de mapas.
-Para que dados sejam confiáveis, é necessário que pessoas percorram muitos quilômetros para definir rotas, fazer atualizações e corrigir erros.
-As equipes de campo têm que ser grandes.
-Não basta passar no local uma só vez. É preciso voltar sempre.
-As cidades crescem, surgem bairros, ruas mudam de nome e de sentido. Prédios são demolidos, outros erguidos, lojas abrem e fecham. Confirmar tudo é impossível para um sistema de máquinas.
-O trabalho de campo é difícil, porém obrigatório para as empresas.
-As empresas chegam a criar 4 versões de mapas por ano.

Como os Mapas são Feitos
-Primeiro as empresas buscam imagens de satélites da região, fazendo-se um primeiro traçado da região.
-Problema: imperfeições do terreno, comuns em Minas Gerais, cujo terreno é repleto de morros.
-Equipes percorrem as áreas para validar e verificar a localização e adicionar dados, como direção e velocidade máxima permitidas.
-Carros seguem tirando fotografias panorâmicas dos locais, como o Street View.
-Adotam-se, também, informações de usuários dos serviços, de maneira voluntária, por pessoas que reportam erros às empresas; outra de forma involuntária, quando o software reportar erro no uso dos mapas às empresas.
-GPS em automóveis que sugerem rotas aos motoristas, e essas são descumpridas sistematicamente, a empresa percebe um erro, mandando alguém ao local ou verificando a rota.
-Mesmo assim não existe um mapa perfeito. É um trabalho que não tem fim.

As Empresas Líderes
-Estes serviços estão basicamente nas mãos de três empresas:
-Google: gigante de buscas norte-americana.
-Nokia: empresa finlandesa de celulares.
-Tomtom: fabricante holandesa de GPS portáteis.
-Tomtom e Nokia não desenvolveram seus sistemas do zero.
-Compraram, bem caro, empresas menores que já faziam este serviço.
-Nokia comprou a Navteq por 8,1 bilhões de dólares em 2007.
-Tomtom comprou a Tele Atlas por 4,5 bilhões de dólares em 2008.
-Atualmente quem quiser  oferecer este serviço tem 3 opções:
-1: pagar licença de uso à Tomtom ou à Nókia.
-2: fazer um serviço mesclado.
-3: fazer tudo sozinho.
-O Google escolheu, em 2005, começar a fazer tudo do zero. Ela licenciava mapas da Tele Atlas.
-A Apple escolheu, em 2012, o mesmo caminho. Um atraso que não perdoa.
-O alto preço dos royalties foi um dos motivos que levaram o Google a iniciar produção própria neste mercado.
-Empresas como o site Apontador chegaram a contratar equipes de campo para produzir seus próprios conteúdos, mas viram os custos e desistiram, partindo para o licenciamento de empresas como a Tele Atlas.
-O líder do mercado, Google Maps, é “gratuito”: você paga pelo serviço com sua audiência, através de anúncios, como a TV aberta.
-O serviço se sustenta com anúncios apresentados e cliques dos usuários sobre esses anúncios.

Oligopolização do Mercado x Iniciativa Aberta
-Oligopólios trazem riscos, como o aumento do custo aos consumidores.
-O Google já cogita tarifar diretamente o usuário, através da extrapolação de um limite de usos.
-Algumas empresas, na contramão, já oferecem este serviço com a colaboração dos usuários, uma espécie de Wikipedia dos Mapas – o Open Street Map.
-Qualquer um pode entrar e adicionar uma informação.
-Mudanças são monitoradas e revisadas por outros usuários, ajudando a evitar vandalismo e garantia de qualidade dos dados.
-O serviço é mantido por doações.
-A qualidade do serviço ainda está condicionada ao local pesquisado.
-Empresas como Tomtom criticam a iniciativa aberta, afirmando que estes serviços são pouco confiáveis.
-Uma reação parecida quando a Enciclopédia Britânica criticava a Wikipedia.
-Voluntários conhecem mais as áreas do que funcionários contratados?

Fonte: Revista Info. O Mapa é o Tesouro. Edição 322. Novembro 2012. P.81-85. São Paulo: Editora Abril.

Quadros Resumo

Ótima forma de desenvolvimento do que deve ser ensinado. É simples, rápido e didático.




Fuso Horário: Problema



Para visualização do player em tela inteira, basta clicar em "Abrir em uma nova janela", o quadradinho do lado de "Slide".

Autor: Alan Martins.

Ventos

Temas mais conhecidos do fenômeno
-Furacões, Tufões, Tornados.

Temas também trabalhados
-Ventos Alísios, Brisas, Monções.

Como funciona o mecanismo dos ventos?
-Os ventos surgem a partir das diferenças de temperaturas entre regiões do planeta.
-Estas diferenças fazem surgir diferenças de pressão atmosféricas.
-As regiões mais quentes são de baixa pressão. Isso porque o ar quente tende a subir, fato que explica também porque um balão de ar quente voa.
-As regiões mais frias são de alta pressão. O ar mais frio é mais denso, por isso a pressão é maior em regiões mais frias.
-Assim, pela diferença de pressão entre regiões frias e quentes, o ar tende a movimentar-se da região mais fria (de alta pressão) para a região mais quente (de baixa pressão).

Resumindo

Fonte: Estadão.edu
-Segredo para resolução de questões de vestibulares: as regiões de baixa pressão atmosférica configuram-se como regiões de ciclone.
-Assim cidades que se localizam nos trópicos, regiões mais quentes, são regiões de baixa pressão e que formam ciclones.
-Quanto mais alta é a temperatura, mais baixa é a pressão, e é a melhor condição para aquela localidade receber ventos mais violentos. Gera-se então tempestades mais expressivas.

Nomes especiais para tempestades ciclônicas
-De acordo com a localização no globo, essas tempestades recebem nomes diferentes.
-Furacões: tempestades formadas no Oceano Atlântico. Você vê nos noticiários os furacões nos EUA, principalmente no lado leste, banhado pelo Atlântico.
-Tufões: tempestades formadas no Oceano Pacífico. É comum no noticiário a ocorrência de Tufões no Japão, banhado pelo Pacífico.
-Tornados: formados em regiões continentais. Muito comuns nos EUA.
-Baguio: formados no Oceano Índico. Menos divulgado pela mídia, e pouco conhecido, mas se constitui também um ciclone.
-Willy Willy: formados próximo à Austrália, também pouco divulgados.

Então...
-Ciclone é um nome genérico.
-No Brasil, há alguns anos, o Estado de Santa Catarina foi atingido por um Ciclone Extra-Tropical.
-Escala Fujita: classificação de ciclones, aquela muito divulgada na mídia para furacões: nível 1, 2, 3.

Classificação dos Ventos
-Constantes ou Planetários
-Continentais
-Locais

Alísios
-Tipo mais importantes de ventos Constantes ou Planetários.
-Partem de regiões próximas aos trópicos de Câncer e Capricórnio, carregando grande quantidade de umidade, deixando essas áreas muito secas, favorecendo a ocorrência de zonas desérticas.
-Exemplos dessas áreas desérticas: Deserto da Califórnia e do Saara (próximo ao Trópico de Câncer) e  Deserto do Atacama, da Namíbia e Australiano (próximo ao Trópico de Capricórnio).
-Essa umidade é carregada para as regiões equatoriais, mais quentes e com menor pressão. Essas regões são chamadas de Zonas de Convergência Intertropical, muito divulgadas em previsões do tempo de telejornais.
-Os Ventos Alísios interferem inclusive em rotas da aviação, podendo colaborar em acidentes, caso do avião da Air France que iria do Brasil para a França, que caiu no Atlântico matando centenas de passageiros. Um dos fatores que contribuiu para o acidente foi o mal tempo.

Fonte: Portal Google.

Monções
-Exemplo significativo de ventos Continentais.
-Ocorrem no sul da Ásia.
-Quando no verão, os ventos monçônicos sopram para o continente.
-Quando no inverno, os ventos monçônicos sopram para o Oceano Índico.
-Isso porque no verão, a temperatura é mais quente. O continente esquenta mais rápido do que a água, fazendo surgir um centro de baixa pressão, para onde os ventos se dirigem, causando chuvas intensas na Índica e em Bangladesh. 
-No inverno é o contário: com pouco calor, o continente esquenta pouco e esfria mais rapidamente que o oceano. A água esquenta mais lentamente e esfria mais lentamente, fazendo o centro de baixa pressão estar localizado sobre o Oceano Índico.

Fonte: Portal Cola da Web.

Brisas Litorâneas
-Tipo de ventos Locais.
-Durante o dia a brisa sopra para o continente. 
-Semelhante ao mecanismo que explica as Monções, mas em escala local, o continente se aquece mais rapidamente do que a água do mar. Assim forma-se um centro de baixa pressão sobre o continente, fazendo os ventos soprarem em direção dele.
-Durante a noite é o oposto: o continente esfria mais depressa, e a água do mar esfria mais lentamente, fazendo o centro de baixa pressão se deslocar para o oceano, fazendo a brisa ter direção marítima.
-Essa dinâmica interfere no regime de chuvas das regiões litorâneas.

O nosso problema com a E.Coli

Origem
-É uma das mais antigas bactérias simbiontes do homem.
-Descobridor: Theodor Escherich
-Ano: 1885.

O problema atual: confinamento de grande quantidade de animais
-Para produção de grandes quantidades de carne, por exemplo de boi, o gado é confinado em espaços mínimos, sem as adequadas condições sanitárias. E pasmem, esse modelo é o adotado em países ricos. No Brasil, a maior parte do gado é criado de forma extensiva, solta no pasto.
-No modelo intensivo, o objetivo é engorda rápida. Os bois não pastam, comem ração a base de milho ou soja,  o que favorece a proliferação da bactéria nos intestinos dos ruminantes.
-Para compensar, os agroempresários dão grandes quantidades de antibióticos para os bois. O que na prática cria superbactérias E. Coli, já que os antibióticos não matam todas as bactérias. As restantes se reproduzem, uma seleção natural que Darwin explica.

Contaminação dos lençóis freáticos
-Bois criados de forma intensiva fazem muito cocô.
-A limpeza dos locais de criação é precária, e a destinação da sujeira é de maneira duvidosa.
-A verdade: os dejetos de animais contaminam lençóis freáticos.
-Para produção de alimentos na forma moderna da agricultura, a prática de irrigação é de fundamental importância. E a água é trazida do subterrâneo, com contaminação por E.Coli.

Onde depositar grandes quantidades de dejetos de animais?

Contaminação de humanos
-A contaminação pode se dar através dos alimentos irrigados por BOSTA de animais!
-Ou por E.Coli no consumo direto da carne. A carne é processada em locais fora dos padrões sanitários necessários. Isso é feito visando lucro.
-O fato é que a E.Coli mutante, quando contamina o ser humano, traz graves problemas à saúde. E sua resistência aos antibióticos é elevada, devido ao fato de já estar acostumada com antibióticos aplicados nos animais.

Fontes: Portal Superinteressante. O lado escuro da comida. Disponível em: http://super.abril.com.br/alimentacao/lado-escuro-comida-614494.shtml . Acesso no dia da postagem.
Portal Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escherichia_coli . Acesso no dia da postagem.

Considerações sobre o Território

Introdução
-Não deve ser confundido com a simples materialidade do espaço socialmente construído.
-Ele é sempre apropriação e domínio de um espaço socialmente partilhado. Por exemplo, o caso de uma cidade fantasma no deserto norte-americano, é um espaço socialmente construído mas que não representa um território.
-Território e espaço são sinônimos? Não, o segundo é mais amplo que o primeiro.
-O território é uma construção histórico-social construído através das relações de poder que envolvem sociedade e espaço geográfico (que envolve também a natureza).
-Sociedades tradicionais: a construção de territórios era baseada em áreas ou zonas.
-Sociedades modernas: predomina a construção baseada em redes, com base na ideia utilitarista e funcional daquele determinado espaço.

Território x Rede x Lugar
-O território pode ser uma noção mais ampla que lugar e rede mas pode confundir-se com eles.
-A rede pode ser uma forma de organização do território ou um elemento que o constitui.
-O lugar é uma das formas de manifestação do território.

Geopolítica do Território
-A territorialidade pode ser entendida como estratégia geográfica para controlar e atingir a dinâmica de pessoas, fenômenos e relações através da manutenção do domínio de uma determinada área.
-O mundo atual abre fluxos para o capital financeiro globalizado, mas exibe inúmeros exemplos de fortalecimentos dos controles territoriais (casos migratórios).
-Existem territórios simples, exclusivos, excludentes, ou híbridos que admitem a existência de várias territorialidades.
-As favelas são enclaves em que uma territorialidade ilegal pode ser erguida (caso do crime organizado) , um exemplo de território excludente/exlcusivo criado pela exclusão social.

O tráfico de drogas também cria seu território, desafiando o poder do Estado.

Abordagens do Território em 3 vertentes básicas
-Jurídico-Política: Estado-Nação, um espaço delimitado e controlado por um determinado poder, especialmente de caráter estatal.
-Culturalista: Lugar e cotidiano, identidade social, produto da apropriação do espaço através do imaginário ou da identidade social.
-Econômica: Divisão territorial do trabalho, classes sociais e relações de produção, territorialização e desterritorialização é vista como produto espacial do embate entre as classes sociais e da relação capital-trabalho.

Diferenciação natural de áreas e o Território
-Uma das primeiras bases para formação de territórios.
-Ainda é utilizada para certos espaços e por certos grupos sociais, como os indígenas da Amazônia, os tuaregues do Sahara ou os nômades mongois e tibetanos).
-Atualmente aparece a formação de territórios-reserva, onde reservas naturais são tipos de territórios produzidos pela modernidade. Seu papel conservacionista parece contradizer a sociedade moderna, impondo-lhe limitações para a transformação do espaço geográfico.
-O problema é que a emergência de territórios-clausura, de acesso temporariamente vedado, prejudica a natureza uma vez que muitas espécies não irão sobreviver isoladas umas das outras, sendo necessário redes (corredores) de interligação entre as diversas reservas, pelo menos às pertencentes ao mesmo ecossistema.

Fonte: HAESBAERT, Rogério.O Território em tempo de globalização. ETC - Espaço, Tempo e Crítica. Nº 24, Vol 1. 15 ago 2007. Disponível em: http://www.uff.br/etc/UPLOADs/etc%202007_2_4.pdf . Acesso no dia da postagem.

Os povos ciganos

Histórico
-Vivem no Brasil desde o século XVI.

Números
-Atualmente o IBGE estima que existem mais de 800 mil pessoas ciganas.

Preconceito
-É o maior problema desses povos.
-Muitos não são registrados quando nascem, a maioria é invisível para o Estado.
-Por serem nômades têm dificuldades de acesso à saúde (o SUS pede um documento de identificação e comprovante de residência para atendimento) e à educação (escolas têm dificuldades de manter alunos ciganos).

Evolução
-O SUS baixou uma portaria desobrigando os hospitais a pedirem documentos para ciganos.
-O MEC diz que nenhuma escola pode recusar alunos, mesmo que estejam sem documentos que comprovem escolarização anterior. Eles podem acessar a escola sazonal, e podem estudar por 6 meses e depois mudar de escola.
-Mas o atendimento por parte do Estado é ainda muito precário.

Clãs
-Os ciganos brasileiros podem ser divididos em três "etnias".
-Veja o quadro-resumo abaixo. Clique na imagem para ampliá-la.


Fonte: Portal Agência Brasil. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/grande-reportagem/2011-05-24/ciganos-um-povo-invisivel . Acesso no dia da postagem.

Controvérsias da globalização

Globalização 
-Palavra que passou a ser utilizada de modo generalizado em diversos campos do conhecimento.
-No fim do século XX, esta palavra remete a uma imagem de homogeneização sócio-cultural, econômica e espacial. Homogeneização que tenderia à dissolução de identidades locais, culminando em um espaço global despersonalizado.
-Ideia de homogeneização é falsa. A globalização não atinge igualmente todos os seguimentos sócio-espaciais, ela se processa em pontos seletivos do globo, adaptando-se e reelaborando processos político-econômicos locais.
-Existe, porém, uma homogeneização da pobreza e da miséria, acirrando a exclusão sócio-espacial.

Fragmentação
-Alguns autores defendem que a característica principal no nosso tempo é a fragmentação.
-Globalização e fragmentação: dois polos da mesma questão.
-Fragmentação inclusiva: caso do surgimento dos grandes blocos econômicos como a União Europeia ou o Nafta, "fragmentar para melhor globalizar".
-Fragmentação excludente: produto da globalização (fruto da concentração do capital) ou resistência a ela (fundamentalismo religioso).

Globalização x Mundialização
-Globalização como processos econômico-tecnológicos.
-Mundialização como processos de ordem cultural.

Globalização x Internacionalização
-Internacionalização refere-se ao aumento da extensão geográfica das atividades econômicas através de fronteiras nacionais, não sendo um fenômeno novo.
-Globalização: forma mais avançada e complexa da internacionalização, com certo grau de integração entre atividades econômicas dispersas pelo globlo, com um maior fluxo de capital financeiro de caráter volátil ou fictício (veja os exemplos das bolsas de valores, que ganham a cada dia maior importância). 
-A globalização acelera-se a partir da década de 1960, consolida-se na década de 1970, tudo facilitado pela maior velocidade de circulação, mediada pelo avanço técnico-científico-informacional.

A controvérsia
-A partir da década de 1990 o capitalismo passa a incorporar os antigos países socialistas.
-Um avanço da globalização se verifica, mas também com um avanço de movimentos contra-globalização.
-As formas de resistência conduzem a um processo fragmentador, resultando em exclusão, reforço das desigualdades.



Fonte: HAESBAERT, Rogério.O Território em tempo de globalização. ETC - Espaço, Tempo e Crítica. Nº 24, Vol 1. 15 ago 2007. Disponível em: http://www.uff.br/etc/UPLOADs/etc%202007_2_4.pdf . Acesso no dia da postagem.



União Europeia

A origem
-O bloco surgiu em 1951, chamada de Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca). Formada por seis países: Alemanha Ocidental, França, Bélgica, Holanda, Itália e Luxemburgo. Obviamente firmou acordos na área de matérias-primas e de energia.

O tempo passou...
-E em 1957, o Tratado de Roma deu prosseguimento ao desenvolvimento do bloco, criando a Comunidade Econômica Europeia (CEE). Tal tratado definiu as "liberdades fundamentais", presentes até hoje na essência da União Europeia. São elas: livre circulação de capitais, mercadorias, serviços e pessoas. Tais diretrizes foram mantidas para as outras ampliações do bloco. 

Entre 1973 e 1995 entraram para o bloco...
-Dinamarca, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Áustria, Finlândia e Suécia.
-O nome União Europeia só foi adotado pelo bloco em 1992, com o Tratado de Maastricht. Tal tratado definiu a criação de uma moeda única para o bloco, ideia alimentada desde 1970, para se proteger da valorização do Dólar. 
-Em 2002 o Euro foi lançado. Foi adotado por 15 países. Reino Unido e Suécia decidiram manter suas moedas locais.

A maior ampliação do bloco...
-Em 2004 entraram para o time: Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, República Checa, Chipre e Malta.
-Em 2007: Romênia e Bulgária.
-Estão atualmente com 27 países membros.


Candidatos na fila...
-Desde 1999 a Turquia é candidata oficial a membro do bloco. Os turcos veem grandes vantagens econômicas e se esforçam para se adequarem às exigências impostas. Abolição da penas de morte e ampliação dos direitos das mulheres estão entre leis de adaptação a que o governo turco se propôs.
-Contudo, alguns fatores desagradam membros do bloco. Todos os membros têm de aprovar a adesão de futuros países membros. Países que desrespeitam liberdades individuais como religião ou direitos humanos são mal vistos pelos membros. Fatores econômicos também pesam, pois a livre circulação de pessoas passa a ser permitida e a questão da imigração intrabloco também é pensada.
-Países que têm fraca fiscalização de fronteiras, principalmente de pessoas que vêm da África também preocupam os membros, já que a ampliação do bloco possibilita o aumento das fronteiras por onde a imigração ilegal pode se utilizar.

A relação com a Rússia...
-Os russos, apesar de ter uma parte expressiva de seu território na Europa, não fazem parte da UE.
-Existe um conflito velado entre Rússia e Europa que já é histórico. O motivo é que boa parte dos países europeus pertencerem à Otan (Organiação do Tratado do Atlântico Norte), organização militar inimiga da antiga União Soviética durante a Guerra Fria. Moscou acusa as potências europeias de tentar diminuir a influência russa nos países do Leste Europeu.

O espaço Schengen
-O que é? É um tratado que permite a livre circulação de habitantes entre os países sem o controle de fronteira (migração intrabloco)
-Alguns países ficaram de fora desse acordo, como por exemplo o Reino Unido, e a Irlanda.
-21 países da UE fazem parte do acordo.
-3 países que não fazem parte da UE fazem parte do acordo Schengen: Suíça, Noruega e Islândia.
-Existem outros países que esperam aprovação para fazer parte do tratado: Bulgária, Romênia e Chipre, por exemplo.

Tratado de Lisboa
-Define os conjuntos de normas do bloco.
-Tenta substituir a Constituição de 2005.
-Para entrar em vigor precisa de aprovação dos 27 países que compõem o bloco.
-A lei já foi rejeitada em 2008 na Irlanda, único país que precisa de referendo popular para autorizar a legislação.
-Novas consultas podem ser agendadas e críticos dizem que existem articulações até que o sim vença.
-O fato é que quando um país rejeita alguma ação em conjunto paralisa todo o bloco, causando um racha na UE. E por conseguinte uma crise.

Em resumo
-O PIB da UE é maior que o dos EUA.
-As exportações também são superiores.
-O Euro não irá substituir as transações comerciais em Dólar, pelo menos não em um horizonte próximo.

Estacionamento Rotativo: o uso do espaço urbano

A disputa pelo uso do espaço urbano
-O espaço é finito, mas parece que as grandes montadoras de automóveis não querem nem saber sobre o problema.
-A cada dia, nas grandes cidades, existe mais e mais automóveis nas ruas, devido à falta de investimentos adequados em transporte público por parte do Estado.
-Quem usa ônibus em Belo Horizonte sabe: é lotado, e as vezes passa no ponto de ônibus sem parar. A qualidade é péssima.
-Assim a população tem hoje a aspiração de comprar um veículo para trocar o transporte coletivo pelo individual.
-O que ajuda nessa troca é a grande oferta de crédito, podendo o consumidor pagar em prestações a perder de vista, pagando juros por isso.
-A compra parcelada é como um pedido de empréstimo, um financeira ligada a um banco quita o veículo e você paga as prestações com juros.


O engano
-Se todos conseguissem ter automóveis e saíssem ao mesmo tempo a cidade não andaria.
-É o que vem acontecendo nas grandes cidades, e o poder público tenta diminuir o problema com medidas paliativas como pedágio urbano (em cidades europeias), rodízio por placas (já implantado em São Paulo) e investimento em duplicação de grandes avenidas, o que aumenta o espaço para os veículos mas não acaba com o problema.
-Onde estacionar todos esses veículos? Já existe a ideia de implantação de estacionamentos no subsolo, proibindo o estacionamento nas avenidas e ruas para facilitar a circulação.
-A proliferação de estacionamentos pagos pelas cidades é grande, e é uma solução cara, já existem cidades onde é mais barato deixar um carro rodando por uma hora do que deixá-lo estacionado em um desses estabelecimentos.
-Com relação ao espaço público, as prefeituras implantam, em certas áreas, estacionamentos rotativos, que visam estabelecer tempo limite para estacionamentos, mediante pagamento de talões de rotativos.

Propaganda da prefeitura
-Veja abaixo resumo da publicação do diário oficial municipal, explicando como funciona o estacionamento rotativo.

Oferta de vagas
A Prefeitura de Belo Horizonte aumenta a oferta de vagas de estacionamento no bairro Barro Preto com a implantação de novas áreas de estacionamento rotativo a partir de hoje. Para atender às necessidades dos motoristas, estão sendo criadas 943 novas vagas físicas em 26 quarteirões e o tempo de permanência em outros dois quarteirões do bairro está sendo alterado, possibilitando que mais 3 mil veículos estacio­nem diariamente. Pesquisadores da BHTrans e folhetos informativos orientarão os condutores. Com a implantação das novas vagas, a região do bairro passa a contar com 3.314 vagas de estacionamento rotativo, que permitem que 13.324 veículos estacionem diaria­mente em 110 quarteirões da região.



[...]

O estacionamento rotativo aumenta a oferta de vagas nas regiões de grande concentração de comércio, serviços e lazer, oferecendo aos motoristas mais oportunidades de estacionamento e contribui para melhorar a qualidade de vida, com o aumento da fluidez do trânsito. O sistema conta com 19.647 vagas físicas que, quando é respeitado o tempo de permanência máximo, se transformam em 87.765 oportunidades de estacionamento em 740 quarteirões da capital. A folha do rotativo custa R$ 2,70 e é válida para utilização em qualquer dos tempos regulamentados. Ela pode ser adquirida em um dos 728 postos de venda credenciados da capital.

O rotativo é implantado onde a quantidade de veículos que necessitam estacionar é maior que o número de vagas físicas disponíveis. A proposta do sistema é garantir a rotatividade, ou seja, multiplicar a utilização das vagas físicas para estacionamento de veículos. Trata-se de um instrumento de política urbana adequado à melhoria da circulação na via e à democratização do uso de espaços públicos. Ele permite que a população usuária do serviço tenha melhor acessibilidade a áreas de comércio, serviços e lazer, como é o desejo e a necessidade da cidade.

A receita líquida do estacionamento rotativo é aplicada em melhorias do sistema viário da cidade, como manutenção e implantação de sinalização, operação de tráfego, fiscalização do trânsito e programas de segurança e educação, conforme demonstrativo publicado na capa do talão. O sistema funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h (em alguns locais o uso da folha é liberada aos sábados). Aos domingos e feriados não é necessário o uso do talão do rotativo.

As folhas de rotativo possuem uma área especial com um bônus destinado ao estacionamento gratuito por até 30 minutos. Dessa forma, se o usuário vai fazer um serviço rápido, ele pode utilizar este bônus e estacionar gratuitamente em qualquer área de estacionamento rotativo, não tendo que pagar para estacionar por apenas alguns minutos.

Fonte: DOM Belo Horizonte. 25 mar 2011.

Nossos recursos são finitos

Importância da mineração
-Quase tudo o que temos contato hoje tem sua origem na mineração.
-Quando você pega um ônibus, os balaústres em que você segura para não cair tem origem na mineração.
-Quando você está assistindo televisão, ela não existiria sem a mineração.
-No chuveiro também, a resistência elétrica é feita de metal, que vem da mineração.
-Resumindo, é difícil você encontrar alguma coisa em suas vidas que a mineração não tenha tido influência.

Dilemas
-Os recursos minerais não são infinitos, eles algum dia acabarão.
-Nossa sociedade tem alta dependência de produtos minerais, e no futuro essa dependência tende a aumentar.
-O que as novas gerações de pessoas farão com esse problema no futuro?

Estudo de caso: as telas touchscreen


-Usadas hoje principalmente em smartphones e celulares.
-O material dessas telas tem como item básico uma mistura de óxidos metálicos de Índio (90%) e Estanho (10%), chamado de OIE - Óxido Índio-Estanho.
-Esse material é usado também em televisões de tela plana, LCD e de Plasma.
-O componente principal do óxido, o Índio, é difícil de ser encontrado e bem caro.
-Ele se constitui um subproduto da mineração de Chumbo e Zinco, e ninguém sabe ao certo quanto existe no mundo.
-Estima-se que a maior parte esteja na China e que o estoque possa acabar em 2020.
-O Índio é um material raro que conduz eletricidade e ao mesmo tempo é opticamente transparente. Essas características o tornam onipresente em aparelhos eletrônicos como celulares ou qualquer tipo de LCD.
-Novas reservas podem ser encontradas, mas a demanda tende a aumentar e pode não ser satisfeita, encarecendo ainda mais produtos que tenha OIE.

Saídas
-Troca do material por outro com propriedades similares.
-Alternativas: uso de Cádmio, mas ele é muito tóxico; uso de nanotecnologia com carbono ou prata, mas são muito mais caros e têm problemas de condução de energia elétrica.
-Os problemas da troca de material passam então por problemas técnico-econômico-ambientais difíceis de se contornar.

Curiosidade
-Você sabia que a tecnologia touchscreen tem vida útil média de apenas 18 meses, o que faz a necessidade de OIE aumentar ainda mais?
-O uso do OIE é mais amplo em smartphones, que normalmente são trocados com frequência mais rápida que sua vida útil.
-Você já viu alguma pessoa dizer: "Eu tenho meu celular há dois anos e estou muito feliz!" Difícil né?
-Mas com a ampliação de seus usos em TVs e tablets, o desafio é aumentar a vida útil de aparelhos touchscreen para diminuir a necessidade de minerar mais Índio.
-Mas a atual configuração econômica tende a diminuir a vida útil de todos os equipamentos eletrônicos para se vendar mais mercadorias.
-Durma com um barulho desses!! Nossos recursos são finitos, mas para lucrar mais as empresas aceleram o consumo desses recursos.

Fonte: Revista Info Exame. Janeiro 2011.


Como funciona a OPEP?

OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo.




1. Reunião e voto 

Os membros se reúnem pelo menos duas vezes por ano, em encontros feitos na sede da Opep (em Viena) ou no país que estiver na presidência da organização. Juntos, eles decidem o quanto produzirão de petróleo nos 6 meses seguintes. Cada membro tem 1 voto, e a decisão deve ser unânime. 


2. Produção 
Cada país assume uma cota da produção total definida para a Opep. A cota é proporcional: quem tem melhor estrutura de produção - Arábia Saudita, Venezuela e Irã - ganha direito de produzir mais. Membros com menos reserva e capacidade de refino, como Argélia e Equador, recebem quantidades menores. 


3. Venda 
A decisão é repassada aos produtores, na maioria empresas ligadas ao governo. E os produtores negociam com seus compradores com base nessa definição. Os principais compradores dos países da Opep são EUA, Japão e Itália. 


4. Emergência 
Se uma crise estourar, a Opep faz uma reunião de emergência. Só em 2008 foram 3 encontros desses, porque o mercado do petróleo estava muito instável. Nas reuniões de emergência, a Opep pode decidir elevar o preço de seus barris, ou até impor embargo a certos países. 

Países Membros 

Angola 
Arábia Saudita 
Argélia 
Catar 
Emirados Árabes 
Equador 
Líbia 
Kuwait 
Nigéria 
Iraque 
Irã 
Venezuela

Fonte: Revista Superinteressante. Nº 282. Nov 2010.

Dilemas Políticos

Definições
-O que é o Estado?
-O que é o Governo?
-O que é a Política?
-O que essas definições tem a ver com Geografia?

A organização do espaço segundo as classes sociais
-A mediação do Estado no sentido de minimizar conflitos sócio-espaciais
-As pessoas devem morar em áreas de risco ou o Estado tem de providenciar moradias, com recursos públicos, para quem não pode arcar com uma em uma área mais digna?

Problemas urbanos
-Planejamento Estatal
-Obras de infraestrutura: de onde vem o dinheiro que abastece o Estado?
-Burocracia como desperdício de recursos financeiros: como funciona o gasto do dinheiro público?

Dilemas Políticos
-Como tornar o gasto do dinheiro público mais eficiente?
-O Tiririca é quem vai cuidar do seu dinheiro: saiba porque isso é ruim, mas poderia ser pior!
-Os gastos com deputados: eles decidem quanto vão ganhar e nós ficamos apenas indignados.
-O drama da governabilidade: para um partido governar tem que partilhar o poder, e isso significa partilha de cargos e recursos. Saiba por que isso é uma fonte de corrupção.
-A democracia brasileira é jovem: a responsabilidade de aperfeiçoá-la, amanhã, será das crianças de hoje.

Dilemas Agrários

Apresentação
-Atualmente o espaço agrário se constitui como uma continuidade do espaço urbano.
-O espaço urbano necessita das mercadorias produzidas no campo.
-Atualmente a agropecuária é a principal atividade desenvolvida no campo.

Problemas do campo: a herança maldita
-A atual configuração espacial rural é muito influenciada, no Brasil, pelo passado.
-As grandes propriedades de terras têm origem nas capitanias hereditárias coloniais.
-Após a Independência as terras eram acessíveis apenas para pessoas não escravas.
-Valia o direito de posse por permanência, quem estivesse há mais tempo em um local tinha direito àquele trecho de terra.
-Antevendo o final da escravidão, a legislação brasileira foi mudada ainda no período imperial: as terras ainda livres passaram a ser propriedades do Estado, e sua aquisição somente seria possível mediante compra e venda. 
-Era a Lei de Terras de 1850¹, estratégia para terras não caírem nas mãos ex-escravas ou de imigrantes.
-O acesso a terras apenas pela via econômica reproduziu o modelo de grande propriedades, já que apenas uma pequena parte da sociedade conseguia comprá-las.
-Resultado: grandes porções de terras nas mãos de poucas pessoas, grandes porções da população com poucas terras.

A economia agrária
-O Brasil sempre foi um grande exportador de produtos primários.
-As grandes propriedades sempre tiveram vocação para exportações, chamadas de plantations.
-Essa configuração gera pobreza: com tendência a modernização agrícola, a necessidade de mão-de-obra é cada vez menor. Isso faz as pessoas tenderem a migrar para as cidades em busca de uma vida melhor.
-As grandes propriedades recebem ainda maior ajuda do governo, com crédito e acesso a sementes melhoradas - ampliação do uso da técnica. Nasce o agrobusiness, uma empresa agrícola que, como nas cidades, concorrem com "empresas" menores, as pequenas propriedades.
-O agronegócio é a fase avançada do capitalismo agrário: os pequenos produtores, não competitivos, veem-se cheios de dívidas, e para pagá-las, acabam vendendo suas terras para os grandes proprietários.

A cidade
-O campo, cada vez menos receptivo, expulsa as pessoas em direção às cidades, gerando problemas urbanos.
-O estabelecimento nas cidades é frequente nas periferias não-planejadas.
-A agropecuária voltada à exportação tende a agravar o problema da fome, já que os preços dos alimentos no mercado interno é influenciado pelos preços externos.
-Eventos climáticos extremos deixam as mercadorias mais caras, deixando em dificuldade quem tem menor renda.

O dilema do campo
-O agronegócio pressiona as áreas de floresta, sendo derrubadas para dar lugar a pastagens para o gado ou a áreas para plantação de produtos agrícolas de exportação.
-A fome no mundo então não acaba. O responsável não é o número de pessoas, mas o problema do agronegócio associado aos eventos climáticos extremos. Não existe falta de alimentos no mundo.
-Dilema: o crescimento da riqueza acontece, mas o crescimento da pobreza também.
-Dilema: a reforma agrária é a resposta para muitas estudiosos, a distribuição de terras para as pessoas que historicamente não tiveram acesso. Mas a simples distribuição de terras não resolve o problema.
-É nítido que sem políticas públicas que ajudem os novos pequenos proprietários a plantarem boas sementes, que ajudem no acesso ao crédito e que forneçam acesso a uma infraestrutura de escoamento da produção continuarão acontecendo problemas como: "famílias ganham terras em reforma agrária e as revendem a grandes proprietários de terras".

¹Lei de Terras: http://www.brasilescola.com/historiab/lei-terras-1850.htm

Dilemas Urbanos

O que é o espaço geográfico
-Em síntese, refere-se ao conjunto inseparável de sistemas de objetos e sistemas de ações.
-Sistemas de objetos: ruas, prédios, escolas, viadutos, parques de diversões, enfim, todos os objetos trabalhados pelo homem, somados aos objetos naturais, como montanhas, rios, árvores, já que são também influenciados pela ação humana.
-Sistemas de ações: existem atores que decidem o que construir, como construir ou como aproveitar determinado recurso natural. Os objetos não estão ao nosso redor de forma aleatória, eles cumprem um interesse. A necessidade de ruas para carros, de prédios para moradia ou trabalho, ou de reformular o espaço, destruindo e reconstruindo novas paisagens é regida por um sistema de ações que dita como deverá ser aproveitado o espaço.
-Principais atores: Estado, empresas transnacionais e nacionais, órgãos internacionais, a população, todos com necessidades e com poderes maiores ou menores sobre a produção espacial.

O crescimento desordenado das grandes cidades
-Grande parte dos problemas vividos pela população pode ser creditada ao crescimento desordenado.
-Favelas são assim edificadas em espaços marginalizados.
-O espaço tem um valor monetário diferenciado entre áreas.
-Pessoas pobres não conseguem fazer suas casas em áreas de maior valor, sendo empurradas para construir em áreas frequentemente de risco.
-Áreas nobres são edificadas, os condomínios fechados, áreas de moradia de pessoas ricas.
-O Estado, representante de toda a sociedade, é chamado a mediar os conflitos resultantes dessa desigualdade.
-A utilização do planejamento urbano é a resposta mais comum à necessidade de acabar com tragédias de deslizamentos de encostas ou mesmo com a criminalidade.
-Se a coisa está como está é por falta de planejamento de governos anteriores, teoricamente.

A prática: o dilema do planejamento
-Belo Horizonte: uma cidade planejada para ser uma cidade nos limites da Avenida do Contorno.
-A prática: hoje a cidade cresceu tanto que se conurbou com cidades vizinhas, como Contagem.
-O crescimento para além da Contorno trouxe problemas: favelas em encostas, trânsito caótico nas periferias, etc.
-Nota-se que o planejamento urbano tem falhas.
-Brasília: plano piloto da cidade feito para a cidade não crescer além do seu traçado idealizado por arquitetos e engenheiros - o formato de um avião.
-Existem leis que proíbem construções que desconfigurem o traçado da cidade.
-Com o Estado fiscalizando bem, a cidade ganha problemas urbanos adicionais.
-Problemas resultantes: encarecimento da moradia na cidade; favelização de cidades-satélites da capital federal, maiores gastos com transporte - as pessoas trabalham longe de casa.

O problema
-Nota-se que o problema do planejamento urbano é complexo, e as gerações futuras têm um grande problema a resolver: o crescimento da população e do consumo traz problemas que a falta de planejamento causa desastres, mas que o uso do planejamento convencional não dará conta de solucionar os problemas que acometem a população.

Blocos geoeconômicos

O que são?
-Associação de países que estabelece relações comerciais privilegiadas entre si.
-Seu objetivo é a redução ou eliminação das alíquotas de importação, com vistas à criação de zonas de livre comércio.

Contradições
-Existe um paradoxo da coexistência do objetivo da liberalização do comércio internacional com práticas que lhe são contrárias.
-Destaque para o setor agrícola, onde a prática protecionista é crescente.

Classificação
-Zona de Preferência Tarifária: este primeiro processo de integração econômica consiste apenas em garantir níveis tarifários preferenciais para o conjunto de países que pertencem a esse tipo de mercado. A ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio) foi um exemplo.
-Zona de Livre Comércio: os países reduzem ou eliminam as barreiras alfandegárias, tarifárias e não-tarifárias, que incidem sobre a troca de mercadorias dentro do bloco. É o segundo estágio no caminho da integração econômica. O NAFTA é um exemplo, acordo firmado entre EUA, Canadá e México.
-União Aduaneira: momento em que os Estados-Membros, além de abrir mercados internos, regulamentam o seu comércio de bens com naçõe externas, funcionando como um bloco econômico em formação. Ela adota uma Tarifa Externa Comum (TEC), aplicando uma mesma taxa a mercadorias provenientes de países que não integram o bloco. O Mercosul enquadra-se neste estágio.


-Mercado Comum: processo bastante avançado de integração econômica, garantindo-se a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, ao contrário da fase como União Aduaneira, quando o intercâmbio restringia-se à circulação de bens. 
-União Econômica e Monetária: estágio mais avançado do processo de formação de blocos geoeconômicos, contando com uma moeda única conduzida por um banco central comunitário. A União Europeia é um exemplo deste tipo de bloco.

Fonte: Portal Guia Log. Disponível em: http://www.guialog.com.br/Y529.htm. Acesso no dia da postagem.

Privatização da Água

Crítica ao discurso científico da escassez da água
-”De toda água do planeta, 97% são dos mares e oceanos, impróprias para consumo por serem salgadas. Dos 3% restantes, 2/3 estão em estado sólido nas calotas polares. Sobram apenas 1% de água líquida em condições potáveis para consumo humano”.
-Ao contrário do que se imagina, hoje não existe menos água que antigamente. O aquecimento global vem derretendo as calotas polares, contribuindo para uma maior parcela de água líquida no planeta.
-A água disponível para consumo vem principalmente da evaporação dos oceanos, e a capacidade de retenção depende do relevo onde a chuva acontece (velocidade de escoamento e formação das bacias hidrográficas), da constituição geológica (rochas que permitem a infiltração e o armazenamento da água em aquíferos) e da radiação solar (que permite a evaporação-condensação-precipitação da água, ocorrendo em grande parte nas baixas latitudes).
-Da água evaporada nos oceanos, 80% cai novamente nos oceanos em forma de chuva.
-Não estamos diante da mera escassez de água, mas de uma desordem ecológica que atinge pessoas, classes sociais, países e regiões de maneira desigual.
-Desigual também são as condições de determinados grupos ou países de lidar com este problema.

Alguns números
-Agricultura: responsável pelo consumo de 70% da superfície de água do planeta.
-Indústria: consume 20% da superfície de água do planeta.
-Os dois sistemas se inscrevem no ciclo da água, não sendo aquele velho modelo tradicional mostrado na escola.
-A floresta Amazônica, de toda sua biomassa, 70% é formada de água, um “oceano verde” que contribui para a evapotranspiração que influencia o clima e a vida das pessoas.
-Assim a água não pode ser tratada de modo isolado, com cientificismo técnico. Ela tem que ser pensada enquanto território, apropriadas pelos homens segundo suas relações de poder e suas relações sociais.
-O ciclo da água não é externo à sociedade. A crise ambiental é reflexo da crise da sociedade.

A Urbanização
-Não é o mero crescimento populacional que pressiona o consumo de água, mas é o aumento da população com nível europeu ou norte-americano de vida que pressiona esse e outros recursos naturais.
-Demanda por água cresce mais que o crescimento demográfico.
-Um habitante urbano consome 3 vezes mais água que um rural.
-Um cidadão alemão consome 9 vezes mais água que um indiano.
-A irrigação e a captação de águas se generaliza para abastecer a agropecuária, que abastece os grandes centros, e a indústria, que necessita de grande quantidade de água para resfriamento de seus equipamentos, entre outros processos.
-O pensamento malthusiano, o do simples crescimento demográfico pressionando o uso da água, cai por terra e se mostra insuficiente para demonstrar a verdade.
-O acesso a águas subterrâneas torna-se uma necessidade, já que as águas superficiais não dão conta do abastecimento das grandes cidades, o que traz novos problemas, o do acesso à tecnologia de bombeamento ou de acesso a aquíferos. Esse acesso é restrito a certas camadas sociais ou a certos países, que têm níveis econômico-tecnológicos diferenciados.
-A prática de captação de águas de aquíferos tem seus problemas. Por um lado aumenta a área irrigável e de agricultura, consequentemente de alimentos disponíveis. Por outro, o lençol freático pode ser rebaixado, e a água captada pode ficar cada vez mais salinizada, o que deixa os solos impraticáveis para a agricultura devido à irrigação no longo prazo.
-É importante salientar que a água não circula somente nos rios, nas massas de ar, nos mares e oceanos e na umidade de ar, mas também nas várias mercadorias – tecidos, automóveis, produtos agrícolas e minerais, etc. Conclui-se que a lógica de mercado influi muito no ciclo hidrológico.

Do interesse público e privado
-Políticas estatais desastrosas sobre o assunto água: organismos internacionais dizem que os Estados, especialmente os de países em desenvolvimento, não tem capacidade de gerir adequadamente os recursos hídricos.
-O interessante é que os mesmos organismos internacionais apoiaram as políticas estatais quando as ditaduras estavam instaladas nesses países, políticas de graves consequências socioambientais; no momento da democratização apoiam políticas que diminuem a importância do Estado, incentivando a iniciativa empresarial e a de ONGs.
-O mundo da água privatizada está sendo dominado por grandes corporações.
-Seu objetivo é a criação de um novo modelo de regulação à escala global.
-Pressões do FMI e do Banco Mundial vão no sentido de suprimir os monopólios públicos, mas várias são as propostas de privatização das águas e essas propostas ainda enfrentam obstáculos.

Propostas de Privatização
-Privatização no sentido estrito, com transferência para o setor privado com a venda total ou parcial de ativos.
-Transformação de um organismo público em uma empresa pública autônoma, como o caso da ANA – Agência Nacional de Águas, no Brasil.
-PPP – Parceria público privada, modelo preferido pelo Banco Mundial.


Transnacionalização
-Diminuição da setorização da água. Cada um dos setores tem suas seus protagonistas, suas especialidades, seus mercados e conflitos.
-Nestlé e Danone são as duas maiores empresas mundiais em água mineral engarrafada, e juntamente com a Coca-Cola e a Pepsi-Cola tornaram-se concorrentes das empresas de tratamento de água graças à comercialização de uma água purificada, apresentada na mídia como mais sadia que a das torneiras.
-Existe um avanço da privatização da água pelo mundo, e empresas transnacionais vêm se espalhando pelo mundo, com uma variedade de rótulos de fachada que fazem crer se tratar de empresas diferentes.
-A lógica capitalista do controle da água faz acontecer aberrações como no México, onde a seca de 1995 fez o governo cortar o abastecimento para camponeses e fazendeiros, para garantir o abastecimento de indústrias controladas em sua maioria por capitais estrangeiros.
-1 tonelada de água na Índia pode gerar um lucro de US$200 na agricultura quando na indústria essa mesma medida geraria US$10.000.
-Nos EUA fazendeiros estão preferindo vender a água para a indústria para obterem mais lucro que em suas culturas.

Qualidade dos serviços
-O discurso da privatização está baseado no possível aumento da qualidade dos serviços prestados, e no possível subsídio às pessoas que não podem pagar. O Estado não teria recursos para o desenvolvimento da área.
-O fato é que as grandes empresas do ramo são muito poluidoras.
-Os conflitos ainda se acirram pela má qualidade dos serviços prestados, caso de Buenos Aires, e do aumento dos preços das tarifas.
-Na Argentina pessoas se organizaram e começaram a não pagar as contas, o que gerou uma ameaça de corte do abastecimento por parte das empresas. Algumas empresas acabaram por desistir do contrato e passaram a questionar em instâncias internacionais o direito a ressarcimento de eventuais prejuízos por parte do governo.
-O fato é que privatizada a água o direito do proprietário está acima do direito e interesse público.
-Resitências à privatização da água vem aumentando no mundo.

Guerra da Água
-A guerra vem se travando na OMC, discutida no Fórum de Davos, em organismos internacionais.
-Querem tornar a água uma mercadoria, e para isso é preciso privar os homens comuns do acesso a ela.
-Em todo lugar onde se tenta apropriar a água, há resistência.
-A água não é uma commodity, como o petróleo, não existe mercado disposto a consumir grandes quantidades a um preço que compense os custos do transporte. Não se prevê o surgimento dessem mercado porque a maior parte do consumo de água doce do mundo se consome na irrigação.
-Para produzir 1kg de frango é necessário 2.000 litros de água. Com o mercado de água privatizado, naturalmente os preços de produção seriam elevados e repassados ao consumidor de frango!

Finalizando
-A água não pode ser privatizada. A água não está acabando.
-É necessária uma vigilância constante sobre empresas que têm interesses na privatização.
-É necessária uma pressão sobre os governos para que cuidem bem da água, e que fiscalize bem as empresas poluidoras desse bem mais precioso que o planeta nos deu.

Fonte: PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A água não se nega a ninguém. Observatório Latino-Americano de Geopolítica. Disponível em: www.geopolítica.ws. Acesso em: 22 jun 2010.


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