Move BH: propaganda e realidade

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Descompasso. Essa é a palavra que resume a diferença entre a propaganda do Move - o BRT de Belo Horizonte - e a realidade.

O Move foi implantado às pressas na capital mineira, em substituição ao metrô, para atender à Copa do Mundo. A prefeitura, à época, propagandeava que o modelo era o mais viável: mais barato e mais rápido para implantação. As empresas de ônibus viram uma oportunidade de ouro: poderiam reduzir custos operacionais. Aliás, essas empresas só pensam nisso: lucro. Conseguir o lucro através de redução de custos operacionais é um dos caminhos preferidos dos Consórcios - ou seriam cartéis - que operam o sistema de transporte coletivo.



Os empresários do setor são cegos por isso, e, só agora, estão enxergando através dos números a redução do número de usuários. O transporte metropolitano não os ensinou, e nem ensina aos governantes. Linhas que antes dispunham de ônibus grandes com motorista e cobrador, hoje, operam com micro-ônibus com motorista que faz dupla função perigosa: cobra passagem enquanto dirige. E o código de trânsito? Que tal autorizar o uso de celular enquanto dirige também!?

A possibilidade de disponibilizar ônibus menores indica só uma coisa: está caindo o número de usuários! E o sistema vai ficar insustentável. Mas os empresários só enxergam números: roletas rodando. Prestem atenção no discurso dos Consórcios, que agora reclamam que não estão conseguindo diminuir o número de ônibus que esperavam.

Uma arapuca malvada: os usuários que abandonam o sistema compram motocicletas e automóveis. O trânsito piora, deixando o transporte público mais lento. Mais devagar, as viagens gastam mais Diesel e pressionam mais a manutenção dos ônibus. Fica mais caro operar um sistema que, apesar de dispor de pistas exclusivas, ainda fica preso no trânsito em locais onde essa facilidade não existe. E mais lentos, os horários previstos têm que contar com mais ônibus à disposição. Mais ônibus, mas funcionários, mais custos.

Deveria haver, por parte do poder público, um direcionamento correto nas políticas de uso do transporte público. Barreiras financeiras e administrativas devem ser retiradas para dar competitividade ao modal. Não faz sentido algum ter dois sistemas de bilhetagens eletrônicas que não são integrados, por exemplo. O usuário fica mais tempo no ponto, sonhando em largar o ônibus.

O transporte público tem que envolver, conquistar o usuário. E não é com propagandas enganosas - com a mostrada acima - que vai se conseguir.

Alan Martins.
Geógrafo.

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