Kasparov...

...xadrez e, no finalzinho da entrevista, geopolítica...

Xadrez para cegos

Política habitacional e desarticulação espacial

Na última metade do século 20, um intenso processo social de construção de uma cultura de direitos ocorreu no Brasil. A luta pelo direito à cidade – e pelo direito à moradia, um de seus componentes centrais – emergiu como contraposição a um modelo de urbanização excludente, que ao longo de décadas de urbanização acelerada absorveu, em poucas e grandes cidades, grandes contingentes de pessoas pobres, sem jamais integrá-las efetivamente às cidades.

No final dos anos 1970, consolidaram-se as bases de um movimento pela Reforma Urbana, coalizão integrada por moradores de assentamentos informais, periferias e favelas das cidades, mas também por setores das classes médias urbanas que naquele momento também reconstruíam suas organizações sindicais. Essa coalizão constituiu uma base política que conseguiu eleger, ao longo da década de 1980, prefeituras comprometidas com um modelo redistributivista e de ampliação da cidadania que incluía a melhoria de serviços públicos, investimentos em favelas e periferias, e apoio a cooperativas e programas de geração de renda, entre outras formas de enfrentamento da crise econômica e da reestruturação produtiva que atingiam os grandes centros industriais e portuários do país.

Dessa época datam as primeiras experiências municipais relevantes de inserção e reconhecimento das favelas no âmbito do planejamento urbano e da legislação urbanística nas cidades brasileiras, como é caso do Recife e de Belo Horizonte. Essas experiências inovaram não por investir nas favelas – o que já vinha sendo feito de forma pontual em várias cidades do país –, mas por identificar e demarcar essas áreas no zoneamento da cidade como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), reconhecendo sua existência e estabelecendo compromissos na direção de sua regularização e incorporação definitiva à cidade.

A introdução de ZEIS nos zoneamentos das cidades, as políticas de regularização e urbanização de favelas, e a promulgação de legislações específicas contendo instrumentos de regularização e de reconhecimento dos direitos de posse de moradores de assentamentos informais se generalizaram no país, principalmente a partir de sua incorporação no Estatuto da Cidade, em 2001. Embora, aparentemente, isso pudesse significar que a partir daí as cidades brasileiras caminhariam nessa direção, a luta cotidiana dos assentamentos informais e ocupações no país para resistir às remoções forçadas e se integrar definitivamente à cidade é bem mais complexa e contraditória.

Hoje as cidades brasileiras vivem um cenário que não pode ser mais definido e compreendido no interior dos paradigmas que marcaram o crescimento urbano dos anos 1960-1980. O novo ciclo econômico por que passa o país, embora carregue a inércia do velho modelo de desenvolvimento urbano patrimonialista e excludente e reproduza práticas políticas presentes no período do “milagre brasileiro”, ocorre sob a égide de uma nova política econômica, sustentada por uma nova coalizão política.

Do ponto de vista do impacto nas cidades, pelo menos dois elementos marcam a constituição de um novo cenário: a integração dos trabalhadores no mercado de consumo (inclusive da mercadoria “casa”) e a inserção da acumulação urbana brasileira nos circuitos financeiros globais.

Do ponto de vista político, os mesmos partidos que, como oposição ao regime militar, lideraram experimentações locais de gestão democrática em governos populares, nas décadas de 1980 e 1990, compõem hoje uma coalizão em âmbito federal, com lideranças que emergiram do movimento sindical, exercendo uma nova hegemonia no establishment político e influenciando enormemente a agenda do desenvolvimento. O modelo de “integração pelo consumo” e crescimento com geração de empregos e melhoria das condições salariais definiu a priorização do uso de recursos públicos para promover grandes projetos de infraestrutura produtiva, com enorme impacto sobre o território do país, sem fortalecer espaços de planejamento e ordenamento territorial nem construir um sistema de gestão do território federativo, que levassem em consideração as fragilidades e potências dos processos locais.

A política habitacional atual é concebida como elemento de dinamização econômica para enfrentar uma possível crise e gerar empregos, sem qualquer articulação com uma política de ordenamento territorial e fundiária que lhe dê suporte, especialmente no que se refere à disponibilização de terra urbanizada para produção de moradia popular.


Por outro lado, grandes projetos em curso – entre operações urbanas e obras de preparação das cidades para a Copa do Mundo e as Olimpíadas – abrem frentes de expansão imobiliária e atração de investimentos, flexibilizando e excepcionalizando normas e leis. Os megaeventos marcam, simbólica e concretamente, a entrada das cidades do país no circuito dos territórios globais.

A liberação de terra bem localizada para empreendimentos e grandes negócios tem levado a um aumento exponencial de remoções forçadas de assentamentos populares, muitos com décadas de existência, e – pasmem! – vários já regularizados e titulados de acordo com os instrumentos legais. As conquistas no campo do direito à posse da terra desses assentamentos são ignoradas e tratadas de maneira ambígua e discricionária. Ou seja, espoliam-se os ativos dos mais pobres, sem reconhecer seus direitos, porque é mais barato. Mas também porque, dessa forma, limpa-se a imagem da cidade a ser vendida nos stands globais: sem assentamentos populares à vista.

Exatamente quando recursos públicos vultosos estão disponíveis para investimentos na urbanização das favelas do país – com o PAC das favelas –, o que se observa é a desconstituição dos processos e fóruns participativos, uma geografia seletiva de favelas a serem urbanizadas e processos massivos de remoção em decorrência da implementação de projetos e obras, muitas vezes com uso da violência. Mais grave ainda é o generalizado não reconhecimento, por parte das autoridades municipais, da regularização fundiária como um “direito” dos moradores, tratando o tema como “questão social” e, portanto, dependente da discricionariedade e, na maior parte dos casos, do não equacionamento desse direito através da implementação de alternativas sustentáveis à remoção.

Não se pode negar a importância do crescimento econômico, da geração de empregos, da valorização do salário, mas, se não houver uma política de enfrentamento da lógica corporativa e patrimonialista de gestão das cidades e um fortalecimento da regulação pública sobre o território, é muito provável que esses ganhos se tornem perdas no futuro. E mais: o caminho da desconstituição de direitos pode ser perigoso; podemos saber hoje onde começa – sobre os mais vulneráveis –, mas é difícil prever onde termina.

Fonte: Portal Luis Nassif Online. Disponível em: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-problemas-da-politica-habitacional?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter. Acesso em: 30 ago 2012. Artigo escrito por: Raquel Rolnik, urbanista professora da USP.

Revolução tecnológica queniana


A importância dos celulares para toda a economia. Os quenianos usam o celular para transações financeiras simples, mas eficientes. Fazem compras com os celulares, os telefones públicos não são fixos, são celulares! Muito interessante o documentário.

Retrato da desigualdade

A Geografia é estudo do uso do espaço pela sociedade.

O espaço geográfico é o conjunto inseparável de sistema de objetos e sistema de ações.

O sistema de objetos é formado por estradas, ruas e avenidas, casas e apartamentos; enfim, os grandes equipamentos humanos somados às "construções" naturais - serras, florestas, rios, lagos, etc.

O sistema de ações pode ser exemplificado pelos comandos, em grande parte globais, que influem na construção ou modificação de áreas naturais ou de áreas urbanizadas. 

Esses comandos são ditados, na maioria das vezes, pelo grande capital - grandes empresas, internacionais ou nacionais - e pelo Estado, este atualmente muito influenciado pelo capital - basta notar as grandes contribuições financeiras de empresas para campanhas eleitorais dos políticos que formarão os governos.

A Geografia chama a atenção do aluno para formulação de questões essenciais em seus cotidianos: por que há a formação de vilas e favelas junto com o crescimento dos condomínios fechados? Riqueza e pobreza crescem no mundo atualmente: por que a desigualdade social é tão difícil de ser reduzida?

A ciência forma, portanto, um ser crítico, sabedor dos problemas político-econômico-sociais atuais para que o cidadão haja, no futuro, consciente do que precisa fazer para melhorar a sociedade.

Ficou lindo isso!


O povo ainda acredita?

Estado do Maranhão, 1966. Posse do Governador eleito José Sarney. Ele prometia acabar com a pobreza e com a corrupção. 46 anos se passaram e o povo continua acreditando: a governadora atual é Roseana Sarney, reeleita em primeiro turno na última eleição.

E o Estado continua como um dos mais pobres do país. A família Sarney uma das mais ricas e poderosas - família dona da afiliada da Rede Globo no Estado.

O rural ressignificado


Resposta correta: selecione o espaço entre parênteses abaixo para visualização.
( Letra D )

Fonte: Concurso público Professor Geografia. Lagoa Santa. 2012.

Territorialidade: o que quer dizer?


Resposta correta: selecione o espaço entre parênteses abaixo para visualização.
( Letra A )

Fonte: Concurso público Professor Geografia. Lagoa Santa. 2012.

Categorias geográficas e PCNs


Resposta correta: selecione o espaço entre parênteses abaixo para visualização.
( Letra A )

Fonte: Concurso Público Professor Geografia. Lagoa Santa. 2012.

Vida em Marte


Defesa de Belo Monte

Abaixo o texto originalmente escrito para a Revista Valor Econômico, que defende a construção da usina de Belo Monte. É interessante ler sobre posições divergentes das que temos.

Clique sobre o texto para melhor visualização. Continuação do texto abaixo.


Clique sobre o texto para a leitura.

Fonte: Concurso Público Gásmig. 2012.

O que fazer com o lixo?

A nova Política Nacional para Resíduos Sólidos. A ideia de várias cidades ter um aterro sanitário com administração compartilhada. A meta de se acabar com os lixões. As empresas, quando criam suas embalagens, não deveriam pensar na facilitação do seu reaproveitamento? A lojística reversa é possível? Quando um agricultor compra um agrotóxico, existe na nota fiscal a indicação de onde ele deve levar a embalagem do produto para descarte adequado. Não deveria ser assim com todas as mercadorias? A ideia de o cidadão separar o lixo em casa reciclável e não-reciclável daria certo? Tire suas conclusões.





Pirâmides Etárias África x Europa

Para melhor visualização clique sobre a questão.

Resposta correta: para visualização selecione o espaço entre parênteses abaixo.
( Letra B )

Fonte: Concurso Público Professor Geografia. Uberlândia - MG. 2012.

TV angolana

Contando histórias

O uso de um bom roteiro é fundamental para se evitar apresentações chatas. "Histórias são relatos de como pessoas enfrentam obstáculos para alcançar objetivos, resolvendo problemas e lidando com emoções", explica um professor de Marketing. Reorganize as informações de sua apresentação no formato abaixo e sua audiência irá agradecer.


Fonte: Revista Info. Edição 319. Agosto 2012. Página: 63.

Como limpar sua caixa de emails?

Clique sobre a reportagem para facilitar a leitura.


Fonte: Revista Info. Edição 319. Agosto 2012. Página: 59.

Lixo por transporte: vamos trocar?

Uma ideia simples para um problema complexo. Um não, dois. Transporte e lixo, dois dos principais dramas da cidade grande não têm muita coisa em comum quando olhadas sob a ótica tradicional. Mas cá entre nós: o que a ótica tradicional conseguiu de bom até agora? O jeito é pensar diferente. E se a reciclagem tivesse uma recompensa real e instantânea?

Trocar lixo reciclável por créditos de transporte público. É assim, com uma proposta tão simples que cabe em menos de uma linha, que o designer Willian Sertório pretende subverter a nossa relação com o lixo que produzimos. O nome temporário Meu Lixo, Meu Transporte, foi baseado na música “Meus Filhos, Meu Tesouro”, de Jorge Ben Jor e, por enquanto, trata-se apenas de um projeto. [...]

Willian é formado em cinema e teve a ideia durante os tempos de grana curta na faculdade. [...]. "No primeiro ano, estava desempregado e vivia duro. Era bolsista. Um dia resolvi ir ao Bom Prato que ficava do lado do campus. [...] Na hora de pagar, ou você dava R$ 1,00 ou trocava 10 latinhas por um almoço. Achei o máximo e pensei que isso poderia se aplicar de alguma forma ao transporte público. O ponto é: aquela refeição não custou R$ 1,00, muito menos 10 latinhas. Houve um subsídio do governo para que aquele alimento chegasse para aquelas pessoas naquele preço acessível e com aquela qualidade".


E você, compraria essa ideia?


Fonte: Revista Galileu. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/1,,EMI314955-17770,00.html. Acesso em 03 Ago 2012.

Royalties do Minério

Desigualdade: o Estado de Minas Gerais recebe menos de royalties do minério por ano do que o Município de Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, recebe por mês com os royalties do petróleo. 

A proposta do governo é aumentar a CFEM - Compensação Financeira pela Exlporação de Recursos Minerais - dos atuais 2% da receita líquida das empresas para 4% da receita bruta. O governador de Minas discute ainda outros problemas do setor.




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